terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Harvest Memories - Galeria Laura Marsiaj





Harvest Memories - Renata De Bonis
No início de 2008, fui selecionada para a residência artística Joshua Tree Highland House, no deserto de Joshua Tree, Califórnia.
Morei no deserto durante o mês de julho, isolada, ao lado do Parque Nacional de Joshua Tree.
A experiência de morar e desenvolver uma produção no alto deserto foi única. O calor beirando o insuportável, a solidão e o isolamento, os animais selvagens que me cercavam, a luz e o horizonte únicos do deserto resultaram em pinturas que espelham a minha experência nesse ambiente aparentemente inóspito.
A imensidão do deserto escaldante me supreendia diariamente com uma diversidade de fauna e flora nas minhas caminhadas matinais. Impressionante foi perceber que o deserto transborda vida: coiotes, esquilos, coelhos, roadrunners, cascavéis, aranhas, codornas, cactus, árvores rasteiras e até frutíferas apareciam nas minhas andanças.
O horizonte interminável me fez pensar como somos pequenos e impotentes perante o mundo.
Para mim, paulistana, que nasci e morei a vida inteira em uma grande metrópole, foi marcante me sentir frágil frente a natureza avassaladora.
Nas exposição intitulada Harvest Memories, no anexo da Galeria Laura Marsiaj, apresent pinturas a óleo e cera sobre tela que refletem as memórias desse período único na minha vida e produção. Um período de reflexão e apuração. Aí estão as memórias das minhas explorações no incrível deserto de Joshua Tree.


Anexo da Galeria Laura Marsiaj
29 de janeiro até 13 de março
Rua Teixeira de Melo, 31 C - Ipanema
Rio de Janeiro
www.renatadebonis.com
www.lauramarsiaj.com.br

Yucca Valley, óleo e cera sobre tela, 90 X 110 cm, 2010, coleção particular

Noah's Washing Machines, 90 X 90 cm, óleo e cera sobre tela, 2009/2010

The Buried House, 90 X 90 cm, óleo e cera sobre tela, 2009/2010

Coyote Walk, óleo e cera sobre tela, 70 x 100 cm, 2010

High Desert Notes, óleo e cera sobre tela, 80 X80 cm, 2010

Tucker # 1 ( Noah's Podium) óleo e cera sobre tela, 90 X 100 cm, 2010

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Prêmio Energias na Arte - Instituto Tomie Ohtake






Abertura dia 16 de junho, terça - feira
Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (entrada pela R. Coropés, 88),
tel. (11) 2245-1900.
Ter. a dom., 11h/20h.
www.institutotomieohtake.org.br

terça-feira, 5 de maio de 2009

Passagem




óleo e cera sobre madeira
40 X 40 cm cada ( tríptico)
2009

Recibo




óleo e cera sobre madeira
35 X 50 cm
2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

" As memórias emprestadas de A.K.( I)"


\


óleo e cera sobre madeira
60 X 90 cm
2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Nouvelle Vague - Galeria Laura Marsiaj curadoria Jacopo Visconti






As coisas não ditas




Num artigo sobre o filme Wait (1968), de Ernie Gehr, publicado no Village Voice em 1968, Jonas Mekas tentava sintetizar a dificuldade de definir o que é que estamos vendo, quando lidamos com arte contemporânea: if WAIT were a 19th century 'narrative', these two people who are now sitting in Gehr's room, no doubt, would be talking, exchanging some lines, performing, going through some psychological bits. (...) In a later 20th century or early 21st century film, which is where Gehr's film is, the event is transposed to another level, (...) we are following completely something else, something that cannot be told in words, something that is happening on a mental level... E de fato a ausência de uma narrativa convencional, como a que permeou a literatura e a arte até o final do XIX século, seja talvez a característica mais marcante e universal da produção contemporânea. Cabe sempre ao observador juntar as peças, compor, a partir dos fragmentos e das pequenas pistas deixadas pelo artista, uma imagem completa, ou pelo menos compreensível. Algo assim como a foto que, numa cena memorável de L’amour en fuite (1979), Antoine Doinel reconstrói com os cacos de uma foto despedaçada e jogada no chão de uma cabine telefônica por um desconhecido, chegando ao rosto da mulher que amaria a partir de então. Pode parecer, evidentemente, uma história linda demais para ser verossímil, e é exatamente disso que se trata: ao passo que conta uma história romântica e aparentemente ingênua, Truffaut faz meta-cinema, deixa claro que tudo o que vemos não passa de um pretexto para fazer (e ver) cinema. Analogamente, boa parte da pintura contemporânea parece constantemente questionar e tencionar o significado e o valor do que está representando, como se os temas e sujeitos escolhidos não fossem mais do que pretextos para fazer (e ver) pintura.

Várias das obras incluídas nesta exposição lidam direta ou indiretamente com essas questões, brincam com a suspensão, fragmentação e explosão da narrativa, dão pistas para possíveis interpretações, e logo depois, abruptamente, recuam para a escuridão. Com freqüência, imagens apropriadas das fontes mais diversas sobrepõem-se em camadas nitidamente separadas: os objetos, personagens, edifícios ou manchas de cor nunca se fundem por completo. Espécie de equivalentes pictóricos dos objects trouvés duchampianos, as imagens, apropriadas das fontes mais diversas (jornais, revistas, livros, google, anúncios, projetos de arquitetura...) parecem recusar programaticamente uma osmose que acabaria mitigando seu valor de citações. Porque é de citações que se trata, fragmentos de histórias alheias roubados e rearranjados em montagens precárias, sem a ambição de constituir uma narrativa coerente, aliás com o objetivo, explícito, de que os pedaços continuem tangivelmente separados. Denota talvez, esta necessidade de se escorar em elementos apropriados e reciclados, a aspiração a um equilíbrio que se sabe, contudo, já irremediavelmente perdido, como no célebre verso da Waste Land de T.S. Eliot: these fragments I have shored against my ruins. Ou talvez, pelo contrário, denote a decisão de abdicar definitivamente da busca de qualquer linearidade, optando conscientemente pela instabilidade, como faz desde sempre Jean-Luc Godard: nossos primeiros filmes foram apenas filmes de “cinéphiles”. Principalmente os meus (...). Eu fazia uns enquadramentos relacionados com outros que eu conhecia de Preminger, de Cukor, etc... É o prazer da citação, de que nunca abri mão...



As obras de Renata de Bonis, por sua vez, baseiam-se sempre em lembranças pessoais, às vezes mediadas por instantâneas tiradas pela própria artista, em outros casos pintadas de memória. Nesse seu se sentir confortável no âmbito de um universo pessoal, que não precisa, para se alimentar, atingir a fontes externas, Renata parece se distanciar do modus operandi da maioria dos outros pintores da sua geração (não apenas os que participam desta exposição). Coerentemente, sua pintura foi progressivamente se despojando, recentemente renunciando, para citar apenas a mudança mais evidente, ao fundo decorativo, de alguma maneira análogo ao da Ana Elisa. Até a paleta de cores, sempre contida, extremamente coerente e meditada em suas pequenas variações, confirma a impressão de estar diante de uma obra que acontece seguindo ritmos exclusivamente próprios. Não é por acaso que entre os amigos que a Renata nos apresenta, numa pequena tela intitulada I think I need new friends (2008), que retrata, simplesmente, uma estante com alguns livros, estão Sean Scully, Luc Tuymans e Giorgio Morandi, isto é, pintores que elevam a reflexão sobre o fazer pintura a um nível quase filosófico. A questão das fontes, influências e citações aparece desta forma, nas pinturas da Renata, de maneira sublimada, mas não por isso menos fascinante. Na pequena pintura Nó (2009), por exemplo, estamos diante tanto da representação de algo vivido e visto pela artista, quanto de uma clara citação de Morandi: o próprio mundo, isto é, só pode ser apreendido e entendido através da representação que dele fizeram seus amigos.

Jacopo Crivelli Visconti

quarta-feira, 4 de março de 2009




óleo e cera sobre tela
30 X 40 cm
2009

Morada




óleo e cera sobre tela
24 X 18 cm
2008

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

domingo, 17 de agosto de 2008

Matéria Revista Isto é - 16 de agosto de 2008


ARTES VISUAIS
Tradição e ruptura
Mesmo que aparelhados com meios tecnológicos, jovens pintores resgatam valores tradicionais

Por PAULA ALZUGARAY


2000EOITO/ Sesc Pinheiros, São Paulo/ até 5/10

Não foram escassos os anúncios da morte da pintura. O primeiro alerta veio com a invenção da fotografia, há quase 200 anos. A fixação da imagem do mundo sobre o papel fotográfico gerou o grande dilema da pintura moderna, colocando em suspensão sua função de representação da realidade. A resposta das vanguardas foi implacável e começou com as três telas monocromáticas de Alexander Rodchenko, anunciando o fim dos valores tradicionais do ofício: não havia mais figura, fundo, nem representação. Depois, viriam outros demolidores de convicções, como Mondrian, Duchamp, até surgir, no Brasil, Aluísio Carvão e a geração de neoconcretistas que projetaram vibrações cromáticas para além da superfície plana da tela. Essa vontade de experimentação que nasceu com a fotografia, o cinema e o vídeo teria contaminado também a relação dos artistas com a pintura. Essa tese foi desenvolvida pela exposição Pintura reencarnada, em 2004, com curadoria da jornalista Angélica de Morais, que argumentava sobre a mutação da matéria pictórica contemporânea em pixels, feixes de luz, impulsos e sensores elétricos. Agora, o debate sobre a morte e a reencarnação da pintura pode ganhar novos contornos com a exposição do grupo 2000eoito, que reúne oito jovens pintores que não abrem mão de usar tintas sobre superfícies planas, mesmo que assimilem processos e temáticas importadas da fotografia e das câmera de vigilância.
"Fomos contaminados pela discussão sobre a morte da pintura e também pelo Skype, GPS, vídeo, internet, etc. A tecnologia é nossa aliada, mas é na pintura que encontramos a melhor forma de dizer o que queremos", diz o pintor Marcos Brias, um dos integrantes do grupo 2000eoito, que se formou há um ano com o objetivo de fazer uma exposiçãocoletiva de pintura. "Todos nos sentíamos ilhados, pois éramos parte de uma minoria que pintava", diz Rodolpho Parigi, que procura traduzir na pintura "a hibridização e a vibração da vida contemporânea".
A presença dessa vibração contemporânea é perceptível na mostra, mesmo que os artistas façam um uso assumido de valores e gêneros pictóricos tradicionais: Rodrigo Bivar dedica-se ao retrato, Marina Rheingantz, Bruno Dunley e Renata De Bonis se debruçam sobre a paisagem, Ana Elisa Egreja trabalha sobre o valor decorativo da natureza-morta. Mas talvez onde a pintura efetivamente entre em fricção com a atualidade seja no trabalho de Regina Parra, que representa imagens captadas por câmeras de vigilância. "O uso da fotografia como intermediação entre a realidade e a pintura é o que diferencia essa geração da minha", afirma o pintor Paulo Pasta, curador da exposição e ex-professor do grupo. Mas, segundo ele, a contemporaneidade, nesses artistas, não está no uso da fotografia. "Está na vitalidade, no ânimo, no entusiasmo com que eles se colocam diante da pintura", afirma o pintor, que atualmente expõe um panorama de sua produção recente no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio.


http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2024/tradicao-e-rupturamesmo-que-aparelhados-com-meios-tecnologicos-jovens-pintores-99153-1.htm

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

And Schnabel speaks.....

" Quero que minha vida seja embutida no meu trabalho, moída e misturada na minha pintura como um carro prensado. Se não é o meu trabalho, é somente " alguma coisa". Longe do trabalho sou um aleijado. Sem minha relação com estes objetos que podem parecer "inanimados", sou apenas um desajustado indulgente. Se o espírito de "ser" não está presente no trabalho, este então deve ser destruído, pois não contém significado. Eu estou fazendo um sinônimo da verdade com todos os possíveis artifícios , por mais oblíquo que isso possa parecer. Estou fazendo ícones que mostram a vida a partir da nossa morte. Um apanhado de erros."

Julian Schnabel

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Blog da Tpm









http://revistatpm.uol.com.br/blog/?log_id=135